• Bruno Almeida - Eng. Amb.

Como trabalhar com o Resgate de Fauna?

Atualizado: Jul 25

O trabalho com resgate de fauna é a atividade que mais contrata no Brasil, e pode ser executado, na maioria das vezes, por uma equipe, a qual certamente poderá ser composta por biólogos, veterinários, engenheiros ambientais, técnicos ambientais e demais profissionais dependendo do porte do projeto ou finalidades.


A construção de empreendimentos como hidrelétricas, ferrovias e linhas de transmissão de energia requer a supressão de vegetação. Para garantir a sobrevivência do maior número possível de animais que habitam nesta área de vegetação, é feito o manejo da fauna local por meio do afugentamento ou resgate de fauna. Este procedimento é obrigatório e deve ser feito por biólogos e veterinários.


O que levar para o campo no resgate de fauna?

Seus equipamentos de proteção individual (EPIs). Botas, perneiras, capacetes, óculos de segurança, protetores auriculares e bloqueador solar serão seus melhores amigos. Materiais de campo para o manejo da fauna, como o gancho, pinção, cambão, rede e caixa de contenção e transporte. Esses materiais precisam estar no seu veículo.


Você não pode esquecer a sua CNH. Saber dirigir aumenta a chance da sua contratação, mas não adianta ter uma habilitação e esquecer ela em casa ou no alojamento. Nunca esqueça que o resgate de fauna é um trabalho em equipe. Sempre trate as pessoas envolvidas com muito respeito. Use e abuse da inteligência emocional para lidar com problemas e imprevistos.

Por onde começar?


Primeiramente é feito o afugentamento, sem contato físico com os animais. Isso acontece com o uso de som ou pela própria movimentação da equipe envolvida na implementação do empreendimento. Este procedimento evita que animais sejam feridos ou mortos.

A partir do momento em que é necessário capturar algum animal, já se inicia um resgate. A primeira coisa que deve ser feita é a avaliação da saúde, chamada “anamnese”. Se as condições de saúde forem boas, é realizada a soltura imediata em um local seguro e similar ao local onde foi feito o resgate.


Mas, se o animal estiver debilitado, ele é tratado de acordo com a sua necessidade em um Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS). Depois, o bicho fica em quarentena, onde é feito o acompanhamento do estado clínico. O mais importante nesta fase é mantê-lo aquecido e evitar qualquer tipo de estresse.


Só quando é certificado que o animal tem condições de ser reinserido na natureza é que ele é solto em um local seguro e semelhante ao qual o mesmo foi resgatado. Caso o animal não consiga se reabilitar, é estudado pela equipe do CETAS qual o melhor destino para que ele possa ter uma vida digna.

Quais funções poderei desempenhar durante um resgate de fauna?


Você poderá afugentar animais durante a supressão vegetal em direção às áreas que se manterão preservadas. Além disso, poderá resgatar os animais que não conseguiram se deslocar por possuírem baixa mobilidade, ou devido ao seu estágio de desenvolvimento ou por estarem machucados.

Triar e identificar os animais resgatados, encaminhando para os veterinários os indivíduos que necessitarem de avaliações e cuidados médicos, bem como, realizar a soltura dos animais saudáveis nas chamadas "áreas de soltura." Locais definidos pela empresa de consultoria ambiental junto ao órgão ambiental licenciador.

Poderá também planilhar os dados e elaborar relatórios técnicos para encaminhamento ao contratante e posterior entrega ao órgão ambiental licenciador. Coordenar equipes em campo. Nesse caso os biólogos(as) podem trabalhar supervisionado as equipes de campo e orientando os profissionais envolvidos para melhorar o desempenho das atividades. O coordenador também pode ficar responsável pelos recebimentos dos relatórios.

Gerenciar o projeto do escritório. Nesse caso, o profissional não vai a campo, mas fica incumbido de cuidar tanto da logística de quem está em campo (deslocamento, hospedagem e alimentação) quanto das tratativas diretamente com a parte contratante e órgão ambiental.

E por fim, poderá atuar como analista ambiental dentro do próprio empreendimento como cliente final. Nos grandes empreendimentos, como hidrelétricas, há vagas para analistas ambientais e biólogos podem ocupar esse cargo. Muitas vezes, são os analistas ambientais que observam às demandas de estudos exigidos pelos órgãos ambientais e apontam para o setor de compras à necessidade de se contratar uma empresa de consultoria ambiental para conduzir um resgate de fauna.


Como ser eficiente na hora de anotar durante o resgate?


Sua planilha deve ser em formato Excel para que você consiga trabalhar com os dado depois.

Para evitar o retrabalho, anote tudo durante o próprio campo, já de forma organizada. Para isso você pode adotar fichas de papel com todo os espaços para você preencher com os dados que deverão ser coletados em campo. A ficha funcionará como um check list para você não esquecer de anotar nenhuma informação.

E por último use a tecnologia. Hoje em dia algumas empresas, estão adotando aplicativos para facilitar o preenchimento dos dados diretamente em campo, onde o profissional anota tudo em tempo real, mesmo off-line. Assim que o sinal de internet é detectado, os dados sobem diretamente para uma nuvem.

É preciso ter serenidade!


O resgate de fauna é um trabalhos que possibilita o encontro com espécies belas e raras, mas não se esqueça que você vai se deparar também com cenas desagradáveis, como animais machucados e que foram a óbito. Trabalhe seu psicológico, assim como médicos trabalham, e encare sua missão como importante para salvar vidas.

Imagine que você se forma em medicina porque você quer trabalhar salvando vidas e melhorando o bem-estar das pessoas. Com certeza, você não ficaria feliz ao ver alguém que foi atropelado ou que por algum motivo está muito machucado, muito menos um óbito.

Mas você vai precisar lidar com situações assim e desempenhar o seu papel fundamental para ajudar quem está sofrendo. A mesma coisa acontece durante um resgate de fauna. Em campo não vemos apenas lindas espécies raras e saudáveis.

O que a gente vê são indivíduos ficando sem suas casas, animais que se machucam com tratores e motosserras. Animais com fraturas e cortes, porque uma árvore caiu em cima. Nesse momento precisamos ser fortes e entender que estamos ali para salvar vidas, para minimizar impactos ambientais.

Ver uma grande árvore sendo derrubada e um animal indo a óbito sempre causará mal estar. Mas, se alguém precisa atuar nos Programas de Resgate de Fauna (PRF), que seja alguém forte e que tenha convicção do seu propósito de vida, assim como os médicos fazem diariamente em suas clínicas e ambulatórios de hospitais.

Você já pensou em transformar um caçador de onças em um conservacionista? Durante os estudos de fauna, entramos em contato com moradores locais que muitas vezes possuem costumes distintos dos nossos. Tais costumes podem ser até errados perante a lei, como a caça.

Mas como julgar alguém que nasceu e cresceu com onças rondando sua moradia, comendo sua criação que serve de sustento à sua família e causando medo e pavor aos seus filhos e filhas pequenos?

Difícil julgar sem ter passado por isso, difícil julgar sem ter uma instrução correta sobre

como agir. Difícil julgar sem estar na pele... Aí que entra a inteligência emocional do consultor de fauna.


Quando se trabalha em grandes projetos, muitos auxiliares podem também ser caçadores. E ao descobrir isso, não aponte o dedo, não o acuse. Simplesmente, ouça os motivos dele e comece ali um processo de educação ambiental.

Mostrar a ele a importância dos animais, que são mais valiosos vivos do que mortos. Explicar sobre comportamentos, sobre reprodução, fazer com que a pessoa se sinta conectado com a vida selvagem e entenda que todos os seres vivos merecem respeito.


Mesmo que para aquele ser humano aquilo não traga resultados no curto prazo, ele

provavelmente vai passar esse conhecimento para os seus filhos e netos.

Uma vez em um monitoramento de fauna, um auxiliar de campo, que matava serpentes, passou a identificá-las pelo seu nome científico após ter tido contato com a educação ambiental.


É sempre gratificante quando se observa a alteração de mentalidade para melhor, fazendo com que a serenidade em campo esteja presente de maneira fixa.

Consultor de resgate de fauna.


Já sei! Falou em Consultor de Fauna você pensa logo em um profissional da Biologia. Em linhas gerais este pensamento não está errado, afinal grande parte dos biólogos possuem uma interação muito forte com a fauna, independente de onde ela seja ou dos procedimentos que possam ser aplicados a ela.

Por exemplo, professores de Biologia (bacharelado ou licenciatura, tanto faz) também precisam utilizar os exemplos de animais para explicar o funcionamento de órgãos e sistemas dos principais filos do reino Animalia. Além disso, também muitas vezes possuem atuação na recuperação da fauna em extinção, contribuindo desde a reprodução até a soltura de determinado animal.


Um consultor de fauna nada mais é do que um profissional formado em cursos voltados ao meio ambiente e que trabalha na consultoria ambiental específica para o ramo de resgate de fauna, seja coordenando ou como parte da equipe de resgate. Sim, isso mesmo! Não necessariamente um consultor de fauna precisa ser formado em biologia.


Oportunidades, mentalidades e conhecimentos!


Para se manter no mercado da consultoria ambiental como consultor de fauna, e viver da profissão escolhida aliando paixão e fonte de renda se faz necessário saber aonde se pode encontrar as oportunidades de trabalho com fauna. Além disso, é preciso sim ter consigo quatro grandes mentalidades e conhecimentos:

Primeiro: Sempre lembrar de suas raízes, as quais levaram a escolha da sua admirável profissão, fazendo isso você tem grandes chances de não vacilar diante de dificuldades ou situações embaraçosas.


Segundo: Saber aliar a preservação ambiental com sua fonte de renda. Terceiro: Saber atuar e divulgar seu serviço de consultor de fauna nos dias atuais. E em quarto, mas não menos importante: Saber acelerar sua carreira na área ambiental.


Trabalhar na consultoria ambiental é também uma ação para preservar o meio ambiente. Tenha certeza disso! No entanto, está ação só é verdadeira quando se trabalha de maneira capacitada, ou seja, de maneira a ser capaz de minimizar e compensar os impactos ambientais antrópicos negativos.


Na universidade não se ensina diretamente a como atuar na consultoria ambiental, ou seja, a transmissão de conhecimento e experiências profissionais, especificamente com fauna, mesmo que de forma simples, é praticamente inexistente, pois as ementas das universidades estão voltadas para a transmissão do conhecimento em sua maior parte teórico, e não a como iniciar ou se manter no mercado de trabalho.


E esta realidade é lamentável, especialmente no Brasil que é o país com a maior biodiversidade do planeta. Lamentável, pois por meio da consultoria ambiental é possível promover as condições necessárias para trabalhar com o que gosta e ainda ser bem remunerado por isso.


Infelizmente a formação de panelinhas nos grupos de universidade e instituições ambientais, inclusive de pesquisa é uma forte realidade no Brasil, quiçá no mundo.


Isso não é de hoje, e não existe um horizonte de mudança dessa realidade. Nesse sentido, o trabalho como consultor autônomo vem oportunizar a liberdade perante as panelinhas, onde se pode atuar e até mesmo concorrer de igual para igual, ou melhor: de igual para melhor!


Uma vez descobrindo as oportunidades de trabalho com fauna na consultoria ambiental, sabendo atrair a atenção das empresas contratantes, sabendo se destacar e principalmente perdendo qualquer medo de meter a mão na massa tudo ficará mais fácil.


Sem esses conhecimentos e iniciativas geralmente o profissional se sente perdido, inseguro, ou frustrado com a área ambiental e acredita que as oportunidades são escassas. As vezes o profissional já atua anos na área, mas ainda não conseguiu se tornar referência na consultoria com fauna.


Com a deficiência empreendedora das universidades citada acima, o ideal é que o graduando o quanto antes saiba como funciona o mercado de trabalho da área que pretende atuar, pois não adianta apenas ser comprometido com a carreira ou determinado a viver da profissão.


É preciso ter, cada vez mais, conhecimento mais técnico e específico, bem como, saber o caminho das pedras na consultoria ambiental.


Aspectos importantes sobre um resgate de fauna.


O Programa de Resgate de Fauna (PRF) é um programa ambiental exigido por lei para empreendimentos que precisam suprimir vegetação nativa, sendo proposto na fase de Licença Prévia dentro dos diagnósticos de fauna (ex: EIA, RAS, RAP). Dessa forma, o resgate de fauna, assim como o monitoramento, entra como uma das formas de minimizar impactos ambientais.

O PRF é executado na fase de Licença de Instalação do empreendimento, durante a supressão vegetal e enchimento de reservatórios, no caso de empreendimentos hidrelétricos. Vale destacar que o resgate de fauna na consultoria é completamente diferente dos resgates de fauna de animais silvestres que aparecem nas casas de pessoas ou nas ruas da cidade.


O resgate de fauna é o trabalho que mais contrata biólogos e veterinários no Brasil, sendo esse trabalho considerado muito sério, onde o profissional deve sempre usar equipamentos de segurança (EPIs), pois acompanhar maquinários e motosserras durante a supressão vegetal é uma atividade que envolve riscos.


A boa notícia é que você não precisa ser especialista em um grupo de fauna para trabalhar em um resgate, como masto, herpeto ou ornitofauna, bem como nem precisa estar formado para atuar em um resgate de fauna, pois em uma equipe sempre há vagas para auxiliares de campo.


As especificações básicas sobre o PRF encontram-se na Instrução Normativa do IBAMA 146/2007 vale a pena conferir, alias se seu desejo é ser um ótimo consultor de resgate de fauna será sempre importante ficar por dentro das legislações.


Pronto para visitas surpresa?


Durante uma supressão vegetal você tem acesso tanto ao subsolo quanto às copas das árvores. Muito animais difíceis de serem encontrados naturalmente são registrados na fase de resgate.

Dependendo de cada região é comum que você encontre mais um grupo animal do que outro. Mas, os animais mais comuns (em ordem) são: anfíbios, répteis, mamíferos e aves. Essa ordem também vai de encontro com a capacidade destes animais se deslocarem durante o trabalho de afugentamento, que é o principal objetivo do resgate de fauna.

As aves são as primeiras a saírem do local, pois conseguem voar. Mesmo assim, é comum encontrarmos ninhos com ovos e filhotes que devem ser resgatados e incubados. Já os anfíbios possuem baixa mobilidade e são difíceis de se afugentar. Mas lembre-se, a composição da fauna vai sempre variar de acordo com o bioma e o estado de conservação do local.


E você? Já participou de um resgate de fauna ou pretende um dia se firmar nesse tipo de serviço ambiental?


Até o próximo post!


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